(Guida Jordão - Biblioteca Municipal de Loulé)

Uma Biblioteca, seja qual for a sua natureza (pública, privada, escolar ou universitária), assume um papel extremamente importante na sociedade atual. É no meio dos livros que se descobre um mundo diferente, quer para adultos, jovens ou crianças. Os livros são um fator chave para a formação dos cidadãos e da sociedade no seu todo. As Bibliotecas são uma porta aberta de acesso ao conhecimento e é através de vários mecanismos atrativos, nomeadamente a atualização regular das coleções, os encontros com escritores, as apresentações de livros, as declamações de poesia, as tertúlias, as ações de formação, as exposições, e tantas outras iniciativas que têm sempre por base a promoção e difusão do livro e da leitura, que se consegue alcançar e integrar uma comunidade leitora.

As Bibliotecas da Rede de Bibliotecas do Algarve afirmam-se como Centros de Informação, Educação, Cultura e Lazer, assegurando a missão proposta pelo Manifesto da UNESCO sobre Bibliotecas Públicas.Em todos os seus espaços, estas Instituições procuram ir ao encontro das necessidades das populações, oferecendo vários serviços e valências que mantenham as pessoas informadas, instruídas e ocupadas. São vários os serviços prestados: empréstimo domiciliário, empréstimo interbibliotecas, leitura presencial de livros, jornais e revistas, acesso gratuito à internet, acesso gratuito a computadores por tempo limitado, oferta cultural diversificada sempre em prol do objeto livro, visitas orientadas ao público escolar e a outros grupos etários e serviço de impressões.

É através da descentralização das Bibliotecas mãe, dinamizando culturalmente os espaços com uma oferta diversificada, permanente e de qualidade, que se consegue abranger uma maior comunidade de leitores e utilizadores. Desta forma contribui-se para uma população mais rica, mais crítica e mais ambiciosa no que respeita à cultura e à sociedade.
No Algarve são quatro as Bibliotecas Municipais que expandiram a cultura a outras áreas de menor densidade populacional: Faro, Lagos, Loulé e Portimão.

A Biblioteca Municipal de Faro agrega o Polo da Conceição, localizado União de Freguesias de Conceição e Estoi, e o Polo da Ilha da Culatra (fechado temporariamente); a Biblioteca Municipal de Lagos integra quatro Polos de Leitura: Polo de Barão de São João, Polo da Luz, Polo de Bensafrim e Polo de Odiáxere; a Biblioteca Municipal de Loulé constitui-se, para além da Biblioteca-sede, em Loulé, pelo Polo de Quarteira, pelo Polo de Salir e pelo Polo de Alte; a Biblioteca Municipal de Portimão tem em funcionamento os Polos de Leitura de Alvor e Mexilhoeira Grande. Em todos os Polos são praticados os mesmos serviços que nas Bibliotecas-sede.

De forma a abranger mais freguesias, no que respeita ao acesso à cultura e à oferta de serviços em prol de uma Biblioteca Pública mais participativa e presente na sociedade, prevê-se, ainda, a criação de um Polo da Biblioteca Municipal de Loulé em Almancil e de um Polo da Biblioteca Municipal de Albufeira, em Ferreiras. Com a descentralização ocorrida nas Bibliotecas, os seus serviços aproximam-se cada vez mais da população que servem, revelando uma maior proximidade com o núcleo urbano mesmo que estejam a alguns quilómetros.

“Livros dão alma ao universo, asas para a mente, voo para a imaginação, e vida a tudo”. Platão

JULHO 2020

 

(Luísa Maciel - Biblioteca Municipal de Lagos)

Nos livros preferidos dos mais pequenos predominaram os álbuns ilustrados de autores estrangeiros, tal como se verificou nos leitores adultos.

Assim, no topo, aparecem autores já clássicos como, por exemplo, o ilustrador polaco Michael Grejniec, autor de “A que sabe a lua?”; Lauren Child, com mais uma história dos irmãos Lola e Charlie no seu livro “Eu nunca na vida comerei tomate”; a dupla Valerie Thomas (texto) e Korky Paul (il.), com a primeira das várias histórias da mais trapalhona bruxa do mundo - “A bruxa Mimi”; Sam McBratney e Anita Jeram (il.), com o best- seller “Adivinha quanto eu gosto de ti”; e Tracey Corderoycom o livro “A loja de todas as histórias”, ilustrado por Tony Neal. Dignos de nota, pela sua qualidade, estão também os álbuns de duas catalãs: “Irmãos!”, de Rocio Bonnillae “O monstro das cores”, que explica as emoções através das cores. Quanto aos álbuns ilustrados de autores portugueses, apenas três nomes: Marta Torrão, “Come a sopa, Marta!”; Adélia Carvalho e João Vaz de Carvalho (il.), “Era uma vez um cão”; e Clara Cunha e Paulo Galindro (il.), “O Cuquedo”.

Nos livros infanto-juvenis a preferência foi para os contos clássicos de Sophia de Mello Breyner Andresen, “O cavaleiro da Dinamarca” e “A fada Oriana”; de Jorge Amado, “O gato malhado e a andorinha Sinhá”; de Miguel Sousa Tavares, “O Planeta Branco”; de Maria Alberta Menéres, “Ulisses” e “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, adaptado em prosa por João de Barros. Os grandes clássicos da literatura juvenil também estiveram no topo das leituras em 2019 com “O principezinho”, de Antoine de Saint-Exupéry; “Diário de Anne Frank", de Anne Frank; “Se isto é um homem”, de Primo Levi; e “Harry Potter e a pedra filosofal”, de J. K Rowling.

Muito requisitados foram igualmente os livros de humor, com algum texto e muita linguagem visual, como são os álbuns de tirinhas de “Garfield”, de Jim Davis, cartoonista norte-americano criador da personagem Garfield, um gato laranja, preguiçoso e amante de lasanha; os livros da colecção best-seller “O Diário de um Banana”, do escritor e cartoonista norte-americana o Jeff Kinney, que contam as peripécias de um miúdo chamado Greg Heffley que quer ser popular e famoso; e os livros da série “As piores crianças do mundo” de David Walliams e Tony Ross (il.).

JUNHO 2020

 

(Luísa Maciel - Biblioteca Municipal de Lagos)

Os TOP’s de Leitura da maioria das Bibliotecas Públicas do Algarve, no ano de 2019, não deixam dúvida: os algarvios gostam de ficção, preferencialmente de ficção estrangeira e de romances românticos escritos por autores anglo-saxónicos. O romance policial, o romance histórico e o romance de ficção científica e fantástico também aparecem, mas em muito menor número.

Assim, o topo da ficção foi ocupado, quase em absoluto, por escritores anglo-saxónicos (ingleses e norte-americanos), apenas quebrado pela islandesa Yrsa Sigurdardóttir, (“O silêncio do mar”), e por três escritores do universo cultural latino-americano, a uruguaia Carmen Posadas(“A filha de Cayetana”), a espanhola Megan Maxell(série “As Guerreiras Maxwell “), e o catalão Jaume Cabré, com “As vozes do rio Pamano”, um romance de grande fôlego, com a Guerra Civil de Espanha e as suas sequelas em pano de fundo, que obteve o Prémio da Crítica Literária Catalã em 2005.

Notória foi também a preferência pelos autores de best-sellersde romances românticos(Catherine Bybee, Nora Roberts, Lesley Pearse, Kristin Hannah, Jojo Moyes,Nina Georgee Nicholas Sparks),alguns com dimensão erótica (a trilogia "Este Homem", de Jodi Ellen Malpas), outros com ambiência histórica, como é o caso de Madeline Hunter (trilogia “A Sociedade dos Duques Decadentes”e os romances da saga familiar de “O Quarteto Fairbourne”) e de Megan Maxell(série de romances históricos românticos “As Guerreiras Maxwell").

Contrariando este gosto generalizado por um romantismo “à la carte”, estão as escritoras britânicas B. A. Paris e C. L. Taylor, autoras de best-sellers de thrillers psicológicos, como é o caso dos romances “Ao fechar a porta” e “O medo”, respetivamente, e o autor alemão Patrick Süskind, com o seu romance “O Perfume: História de um assassino”, um dos clássicos da literatura contemporânea que mistura mistério, terror e um certo realismo mágico na reconstituição excecional que faz da história e mentalidade francesas do século XVIII.

No que respeita ao romance policial, ao romance histórico e ao romance de ficção científica e fantástico, os livros que estiveram presentes no topo das leituras, em 2019, foram: os policiais “A Rapariga no gelo”, de Robert Bryndza; “O mundo invisível”, um “domestic noir”de Katherine Webb; “A outra mulher”, romance de espionagem do norte-americano Daniel Silva; e o “noir ”nórdico “O silêncio do mar”,de Yrsa Sigurdardóttir; os romances históricos “Um mundo sem fim” (continuação de “Os Pilares da Terra”), de Ken Follett; “A filha de Cayetana”de Carmen Posadas, que conta a vida da Duquesa de Alba, amiga e musa de Goya, e da sua filha Maria da Luz e os livros da série “A Saga da Águia”, de Simon Scarrow, centrados na vida das legiões do Império Romano durante a segunda invasão da Bretanha; no romance de ficção científica e fantástico, as preferências foram para a série de livros “As Crónicas de Gelo e Fogo”, de George R.R. Martin, e para os livros do “Ciclo Pendragon”, de Stephen R. Lawhead.

MAIO 2020

 

(Luísa Maciel - Biblioteca Municipal de Lagos)

Os Top´s de Leitura de 2019 mostram uma realidade transversal a todas as bibliotecas públicas algarvias: os leitores preferem pouco a ficção portuguesa, escolhem pouco autores portugueses e lusófonos, e leem “circularmente”, sempre os mesmos autores e sempre os mesmos livros.

Vejamos: no que respeita à literatura portuguesa, predominaram os nomes consagrados e os romances de grande fôlego de José Rodrigues dos Santos, “A amante do Governador”e “As Flores de Lótus”(romances que enquadram historicamente Portugal, a China e Macau na 1.ª metade do séc. XX), de Miguel Sousa Tavares, “Rio das Flores”(a saga da família Ribera Flores ao longo da 1.ª metade do séc. XX) e o clássico “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, do Nobel da Literatura de 1998, José Saramago, romance que possui também uma forte ambiência histórica, a par da carga filosófica e simbólica que é característica da obra deste autor.

Ainda no género do romance, obtiveram o topo dos mais lidos nas bibliotecas públicas algarvias os livros“Jogos de raiva”, de Rodrigo Guedes de Carvalho,“O cais das incertezas”, de José Alberto Salgadoe “A inglesa e o Marialva”, de Clara Macedo Cabral.Fora do âmbito do romance, temos a presença no topo de outro autor clássico, Mário Zambujal,com um livro de contos-crónicas, “Fora de mão”, e o escritor best-seller Pedro Chagas Freitas com o livro-caderno de pensamentos “Prometo falhar”.A literatura lusófona tem apenas dois livros, os clássicos angolanos “Nação Crioula”,romance tricontinental de José Eduardo Agualusaque indaga sobre a construção da identidade individual e nacional, e “Momentos de aqui”, um livro de contos de Ondjakique é um hino à oralidade africana e angolana.

E para além do romance, não existe mais nada no que aos géneros literários diz respeito. Sabemos que os livros de teatro andam “desaparecidos” há anos nas preferências dos leitores, que o conto e a novela vivem envoltos numa neblina densa que os torna invisíveis nas estantes das bibliotecas, mas salvava-se a poesia que, apesar de residual, conseguia fazer-se representar por um ou outro autor nos top’s anuais de leitura.

Surpreendentemente, em 2019, não há registo de nenhum livro de poesia no topo das leituras das bibliotecas públicas algarvias, num ano em que se deu grande destaque a este género literário mercê das comemorações nacionais do Centenário do Nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen, e das comemorações, bem mais modestas, do centenário do nascimento de Jorge de Sena.

MAIO 2020

 

Maria Margarida Vargues (Biblioteca da Universidade do Algarve)
Cláudia Matos (Biblioteca Municipal António Ramos Rosa- Faro)

A atual conjuntura que vivemos, devido à Pandemia por COVID-19, fomentou, na generalidade por força das circunstâncias, a adoção de práticas de teletrabalho, em muitas atividades. Quando cada vez mais se reconhecia a importância das novas tecnologias na sociedade, o seu papel foi reforçado face à nova realidade, que todos vivemos. 

As Bibliotecas, enquanto organizações dinâmicas, procuram adaptar--se a este novo contexto, com o apoio das soluções e plataformas, que desempenham um papel importante na difusão e disseminação da informação, contribuindo para a divulgação dos serviços das bibliotecas através de soluções como o Facebook, Instagram, repositórios, blogues, portais, entre outros recursos online. Parte das suas atividades, habitualmente, oferecidas presencialmente, são disponibilizados através de teletrabalho, garantindo os serviços aos seus utilizadores.

As bibliotecas que integram a Rede de Bibliotecas do Algarve (BIBAL) (https://amal.pt/atividades/protocolos-e-parcerias/bibal-rede-de-bibliotecas-do-algarve) estão encerradas ao público, no entanto, em alternativa muitas oferecem serviços à distância, possibilitados pelas redes de comunicação dos quais se destacam: as horas do conto, sugestões de leitura, formação, divulgação de conteúdos informativos fidedignos (e-books, sites, notícias, etc.), que contribuem para amenizar a impossibilidade dos leitores se deslocarem pessoalmente. Os utilizadores poderão consultar a página da Internet e a presença nas redes sociais de cada biblioteca, para ficarem a par das várias atividades disponíveis. Também a Direção Geral do Livros, dos Arquivos e das Bibliotecas (http://bibliotecas.dglab.gov.pt/pt/Paginas/default.aspx)  através do seu site divulga serviços e iniciativas de muitas bibliotecas em todo o País que poderá consultar (//flipboard.com/@RNBP_DGLAB">https://flipboard.com/@RNBP_DGLAB>).

O empréstimo dos documentos que estavam na posse dos leitores, quando as bibliotecas foram imprevisivelmente encerradas, prolongar-se-á até à sua reabertura. Com a previsão do levantamento do estado de emergência as bibliotecas públicas, e da Universidade do Algarve, estudam formas de prestar mais serviços e a reabertura, tendo em conta as medidas de contenção. Novos empréstimos, em geral não estão previstos, apenas são possíveis para leitores inscritos na Biblioteca Municipal de Lagoa, e Loulé mediante contacto prévio, por telefone ou por correio eletrónico. Para comemorar o Dia Mundial do Livro, a 23 de abril, a Biblioteca Municipal de Lagos e de S. Brás disponibilizam para este dia o serviço de empréstimo, com alguns condicionalismos. Uma série de iniciativas decorrem neste dia potencializando as oportunidades que as redes sociais oferecem. 

Nestes tempos insólitos, as Bibliotecas adaptam-se e continuam disponíveis para os seus utilizadores, oferecendo serviços, disponibilizando recursos e competências, e estando presentes … “à distância”.

Até breve na Biblioteca mais perto de si.
Fique em casa pela sua saúde e pela saúde de todos.

Abril 2020