Teresa Oliveira (Biblioteca Municipal de São Brás de Alportel)
Anualmente, em abril, milhares de bibliotecas espalhadas pelo mundo celebram o livro e a criatividade dos que renovam, incansavelmente, a fonte inesgotável da imaginação e do conhecimento humano através da leitura.
A 02 de abril, Dia Internacional do Livro Infantil, autores e ilustradores reafirmam a mensagem do poder silencioso da leitura desde a infância no progresso da humanidade. A 23 de Abril, celebra-se o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, a importância da criatividade e da originalidade no progresso cultural dos povos. Em Portugal, a estes dias, muitas bibliotecas associam e celebram a Revolução do Cravos a 25 de Abril que trouxe a Liberdade de pensamento, o acesso à pluralidade de visões do mundo e o fim da censura política.
As atuais bibliotecas são herdeiras de uma longa e secular tradição do livro impresso em suporte papel. Contudo, assistem a uma rápida substituição do papel para aplicações digitais que produzem, armazenam e difundem os livros. Muitos interrogam-se: será o fim do livro e da leitura?
Os livros digitais disponibilizam, muitas vezes, recursos de acesso rápido a traduções, à interação de vários tipos de informação, à complementaridade com outros géneros literários e artísticos e as aplicações de IA (Inteligência Artificial) abrem portas para infinitos patamares de recriação de géneros e estilos artísticos.
O que realmente preocupa as bibliotecas deste novo milénio não é o fim do livro impresso, mas sim, que associado às fontes digitais de informação, a própria tecnologia facilite a desinformação, manipulando e falsificando os factos e até os dados da realidade, que a criatividade e originalidade dos autores seja plagiada abusivamente, que vários tipos de censura, em nome de crenças culturais, religiosas e políticas de grupos se sobreponha ao direito à cultura e à ciência.
Desde a famosa Biblioteca de Alexandria até aos dias de hoje, a questão da Leitura nunca foi o seu suporte (tabuinhas de argila, papiro, pergaminho, papel, software digital…), mas sim o direito ao seu acesso, a sua qualidade literária ou científica, o seu criador e aquele que muitas vezes esquecemos – o Leitor.
O leitor é realmente quem interpreta, recria e projeta o mundo criado pelo autor. Quanto mais vasto é o mundo imaginário do Leitor mais são as exigências que coloca à criatividade do autor. Esta relação entre quem cria e quem recria e transforma o mundo é o cerne dos festejos de abril e, também, o grande desafio das bibliotecas do futuro.
ABRIL 2026



